Gênesis 41

GÊNESIS 41 – JOSÉ INTERPRETA OS SONHOS DE FARAÓ E RECEBE AUTORIDADE SOBRE TODA A TERRA DO EGITO

Felipe Morais Curso Bíblico Online Deixe seu comentário

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Um Protótipo da Autoridade de Cristo

Vamos analisar juntos cada porção desse capítulos? (Gênesis 41:1-57)

v1.   Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho: Ele estava em pé junto ao rio Nilo,

José continuou sofrendo por mais 2 anos após ter revelado o significado dos sonhos do copeiro e do padeiro!

v1-7.      o faraó teve um sonho: Ele estava em pé junto ao rio Nilo, quando saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos. Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e magras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo. Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou. Tornou a adormecer e teve outro sonho: Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé. Depois brotaram outras sete espigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste. As espigas mirradas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho.

Ambos os sonhos se tratava de uma grande revelação de Deus ao rei do Egito.

v8.   Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egito e lhes contou os sonhos, mas ninguém foi capaz de interpretá-los.

Faraó, o rei do Egito, teve a mesma reação de Nabucodonosor, rei da Babilônia ao receber sonhos da parte de Deus que ficaram perturbados:

“… Nabucodonosor teve sonhos; e o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono.” Daniel 2:1

v9-13.       Então o chefe dos copeiros disse ao faraó: “Hoje me lembro de minhas faltas. Certa vez o faraó ficou irado com os seus dois servos e mandou prender-me junto com o chefe dos padeiros, na casa do capitão da guarda.    Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho tinha uma interpretação. Pois bem, havia lá conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos a ele os nossos sonhos, e ele os interpretou, dando a cada um de nós a interpretação do seu próprio sonho. E tudo aconteceu conforme ele nos dissera: eu fui restaurado à minha posição e o outro foi enforcado”.

Até que enfim o chefe dos copeiros lembrou-se de José!

v14.            O faraó mandou chamar José, que foi trazido depressa do calabouço. Depois de se barbear e trocar de roupa, apresentou-se ao faraó.

  • Uma vez que a mesma palavra hebraica “bowr” é traduzida por “masmorra ou calabouço” e “cisterna ou cova” e até “abismo ou sepultura” (ver Gn 37:22,24,28,29; 40:15; 41:14; Salmo 30:3; Isaías 14:15), talvez em sua mente José estivesse relacionando as duas experiências. Realmente foram experiências que poderiam tê-lo levado à morte!
  • 13 anos já haviam se passado desde que tinha sido jogado na cisterna pelos seus irmãos. Dessa vez, José sairia definitivamente da condição de humilhação em que passou durante tantos anos…
  • Barbeou-se – não era costume dos hebreus, mas José teve que proceder conforme o costume egípcio.
  • Trocou de roupa – tira as roupas da humilhação e se prepara para encontrar com o rei.

v15-24.  O faraó disse a José: “Tive um sonho que ninguém consegue interpretar. Mas ouvi falar que você, ao ouvir um sonho, é capaz de interpretá-lo”. Respondeu-lhe José: “Isso não depende de mim, mas Deus dará ao faraó uma resposta favorável”. Então o faraó contou o sonho a José: “Sonhei que estava de pé, à beira do Nilo, quando saíram do rio sete vacas, belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos. Depois saíram outras sete, raquíticas, muito feias e magras. Nunca vi vacas tão feias em toda a terra do Egito. As vacas magras e feias comeram as sete vacas gordas que tinham aparecido primeiro. Mesmo depois de havê-las comido, não parecia que o tivessem feito, pois continuavam tão magras como antes. Então acordei. “Depois tive outro sonho: Vi sete espigas de cereal, cheias e boas, que cresciam num mesmo pé. Depois delas, brotaram outras sete, murchas e mirradas, ressequidas pelo vento leste.            As espigas magras engoliram as sete espigas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém foi capaz de explicá-lo”.

É elogiável a humildade de José e seu desejo de honrar o verdadeiro Deus vivo (v.16) como podemos ver também em (Gênesis 40:8) quando ele mesmo havia interpretado os sonhos do copeiro e do padeiro e em (Daniel 2:27,28) quando o profeta humildemente exalta ao Deus Altíssimo pela capacidade de dar a intepretação do sonho de Nabucodonosor, rei da Babilônia. José e Daniel são dois homens de Deus que receberam muita graça diante de Deus e dos reis do Egito e Babilônia respectivamente.

v25-32.   “O faraó teve um único sonho”, disse-lhe José. “Deus revelou ao faraó o que ele está para fazer. As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são também sete anos; trata-se de um único sonho. As sete vacas magras e feias que surgiram depois das outras, e as sete espigas mirradas, queimadas pelo vento leste, são sete anos. Serão sete anos de fome. “É exatamente como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó aquilo que ele vai fazer. Sete anos de muita fartura estão para vir sobre toda a terra do Egito, mas depois virão sete anos de fome. Então todo o tempo de fartura será esquecido, pois a fome arruinará a terra.           A fome que virá depois será tão rigorosa que o tempo de fartura não será mais lembrado na terra. O sonho veio ao faraó duas vezes porque a questão já foi decidida por Deus, que se apressa em realizá-la.

O significado deles era que haveria 7 anos de fartura e posteriormente 7 anos de miséria. Os sonhos que Deus lhe havia dado tinha por objetivo despertar faraó para que pudesse providenciar meios de se preparar para a carestia.

7 vacas belas e gordas = 7 anos de abundância
7 espigas de trigo graúdas e boas
7 vacas feias e magras = 7 anos de fome
7 espigas mirradas e ressequidas

v33-36. “Procure agora o faraó um homem criterioso e sábio e coloque-o no comando da terra do Egito. O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quinto da colheita do Egito durante os sete anos de fartura. Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer estoques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cidades. Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, para que a terra não seja arrasada pela fome.”

É interessante que assim como Cristo é tipificado em José como o homem sábio e criterioso que está no comando de todas as coisas, Ele mesmo seleciona alguns para cuidar do seu rebanho (ver Efésios 4:11). Interessante notar que a expressão “bispos” (ver Filipenses 1:1) significa exatamente “supervisores”!

v37-41.   O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros. Por isso o faraó lhes perguntou: “Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?” Disse, pois, o faraó a José: “Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você”. E o faraó prosseguiu: “Entrego a você agora o comando de toda a terra do Egito”.

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Mateus 28:18

José foi tirado das profundezas da prisão e elevado ao governo de todo o Egito. Da mesma forma Cristo é retirado das profundezas da terra e retornou ao seu estado de glória (ver João 17:5) assentando-se á direita do Pai nas alturas! (ver Hebreus 1:3; 8:1)

“Ora, isto – ele subiu – que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.” Efésios 4:9,10

“Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” Efésios 1:20-23

v42-45.   Em seguida o faraó tirou do dedo o seu anel de selar e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço. Também o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: “Abram caminho! ” Assim José foi colocado no comando de toda a terra do Egito. Disse ainda o faraó a José: “Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito”. O faraó deu a José o nome de Zafenate-Panéia e lhe deu por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois José foi inspecionar toda a terra do Egito.

Novamente José precisa despir de sua temporária para assumir uma veste de governante!

  • Anel de selar – Em (Gênesis 38:18,25) vemos que o anel de selar tinha uma grande importância pois servia como uma espécie de carimbo e assinatura pessoal. Assim, José agora tinha a autoridade de Faraó para tomar todas as decisões!
  • Linho fino – representa os atos de justiça dos santos (ver Apocalipse 19:8). José tinha um belo histórico de justiça diante de Deus e dos homens.
  • Corrente de ouro – O próprio Deus, usando a figura de uma mulher ao se referir à Jerusalém que agora estava corrompida pelo pecado (ver Ezequiel 16:11), lembra ao seu povo que antes dessa situação Ele mesmo havia honrado à cidade e a adornado com enfeites e colocado braceletes nas mãos e um colar de ouro no seu pescoço. Exatamente como o colar de ouro que servia para adorno e honra que José havia recebido das mãos do rei.
  • Carruagem real – Mais tarde, José usará essa carruagem para se encontrar com seu pai na melhor terra do Egito, a terra de Ramessés, também chamada de terra de Gósen (Gn 46:29; 47:6,11).
  • Zafenate-Panéia – Embora o próprio faraó continue chamando ele pelo seu nome de nascimento, ou seja, José (v.55). Ele dá-lhe o nome de Zafenate-Panéia. Esse nome de origem egípcia tem vários significados sugeridos: “tesouro do repouso glorioso” (segundo o dicionário Strong H6847); segundo Warren W. Wiersbe Vol.I, pág. 195 os significados sugeridos são: “abundância de vida”, “Deus fala e vive”, “o homem que tem conhecimento” e “sustentador da vida”. Na coletânea “A História dos Hebreus, II Parte, Antiguidades Judaicas, Cap. 3 pág. 124”, o historiador Flávio Josefo diz que José recebeu o nome de Psontomfance, por causa de usa inteligência (esse nome significa, em língua egípcia, “aquele que penetra as coisas ocultas”) e afirma logo à frente que todos o chamavam de “salvador do povo”. Isso devido à sua capacidade de administração que supriu a carência do povo livrando-os de morrer de fome. O famoso dicionário Wycliffe pág. 2034 diz: Vários significados foram propostos para o nome; geralmente é interpretado como “Deus fala (e) vive” (Steindorff, Griffith, Crum, et al). Outras traduções mais corretas incluem “aquele que alimenta a terra dos vivos” (Archer, SOTI, p.102), “O doador de alimentos da terra”, etc. Mais tarde os judeus passaram a presumir que significava “o revelador dos segredos” (Josefo, Ant. ii. 6.1; Targum of Onkelos). O dicionário da Bíblia de John D. Davis (3ªEdição, Casa Publicadora Batista, 1970, pág.625) ratifica a explicação de Wicliffe.

7 detalhes importantes da exaltação de José [1]

  1. José recebeu o anel de sinete do próprio Faraó
  2. Ele também foi vestido com belas roupas (*vestiu-se de púrpura, segundo Josefo)
  3. Foi adornado com o colar de ouro real
  4. José recebeu uma bela carruagem
  5. Faraó decretou que todos os outros deveriam ajoelhar-se diante de José
  6. E também mudou o nome de José para Zafenate-Panéia que significa “aquele que fornece o sustento da terra”,
  7. Faraó presenteou José com uma esposa, Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Podemos afirmar que José casou-se com uma família da alta nobreza, pois seu soro era membro importante da política e da religião egípcia.

[1] 7 detalhes importantes – baseado no comentário de WILLMINGTON, Dr. Harold L., Guia de Willmington para a Bíblia, Volume I. Rio de Janeiro Central Gospel, 2015, pág. 49,50.

v46.            José tinha trinta anos de idade quando começou a servir ao faraó, rei do Egito. Ele se ausentou da presença do faraó e foi percorrer todo o Egito.

Mais uma vez uma informação que lembra-nos de Cristo: “E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos” Lucas 3:22,23

v47-49.   Durante os sete anos de fartura a terra teve grande produção. José recolheu todo o excedente dos sete anos de fartura no Egito e o armazenou nas cidades. Em cada cidade ele armazenava o trigo colhido nas lavouras das redondezas. Assim José estocou muito trigo, como a areia do mar. Tal era a quantidade que ele parou de anotar, porque ia além de toda medida.

“Como não se pode contar o exército dos céus, nem medir-se a areia do mar, assim multiplicarei a descendência de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de mim.” Jeremias 33:22 – “E também deles* tomarei a alguns para sacerdotes e para levitas, diz o Senhor.” Isaías 66:21 [*deles – referindo-se às nações].

v50-52.   Antes dos anos de fome, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos. Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”. Ao segundo filho chamou Efraim, dizendo: “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido”.

  • AZENATE – uma esposa retirada do Egito que passa a fazer parte do povo israelita. Assim como a Igreja, tirada do mundo para fazer parte da família de Deus (Efésios 2:19), que é a noiva de Cristo composta de pessoas de todos os povos, tribos, línguas e nações!
  • MANASSÉS – significa “faz esquecer”. José não se esqueceu dos fatos, tanto é que ele claramente se lembra dos seus irmãos mais tarde. Ele se esqueceu dos sofrimentos, pois não guardara rancor no coração.
  • EFRAIM – significa “duplamente frutífero”. Agora, José estava colocando um nome profético sobre seu filho menor. Fique atento a esse nome, pois mais à frente vamos ver o desenrolar de uma das maiores revelações contidas nas Escrituras e que está intrinsecamente relacionada ao desfecho da história de Efraim com as Nações!

v53-57.   Assim chegaram ao fim os sete anos de fartura no Egito, e começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egito havia alimento. Quando todo o Egito começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comida, e este respondeu a todos os egípcios: “Dirijam-se a José e façam o que ele disser“.           Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de armazenamento e começou a vender trigo aos egípcios, pois a fome se agravava em todo o Egito. E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.

Assim como vemos Faraó se dirigindo ao seu povo direcionando-os a José e dizendo “Façam o que ele disser” – vemos Deus Pai se dirigindo ao seu povo e dizendo sobre Jesus Cristo: “… Este é o meu amado Filho; A ELE OUVI.” Lucas 9:35

  • Agora, medite num trecho desse salmo e veja quão poderosa figura messiânica foi José! “Chamou a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão. mandou perante eles um homem, José, que foi vendido por escravo; Cujos pés apertaram com grilhões; foi posto em ferros; Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou. Mandou o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou. Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda; para sujeitar os seus príncipes a seu gosto, e instruir os seus anciãos.” (Salmos 105:16-22)
  • Estêvão, o grande diácono e primeiro mártir da Igreja Primitiva, cheio do Espírito Santo disse: E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa. Sobreveio então a todo o país do Egito e de Canaã fome e grande tribulação; e nossos pais não achavam alimentos. Mas tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou ali nossos pais, a primeira vez. E na segunda vez foi José conhecido por seus irmãos, e a sua linhagem foi manifesta a Faraó. E José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas.” (Atos 7:9-14)

Esperamos que esse estudo tenha sido uma bênção para você.

Ore por nós para que possamos fazer mais materiais como esse!

Pr. Felipe Morais

TEMA: CURSO BÍBLICO ONLINE – Gênesis 41

MATERIAL ELABORADO POR: Pr. Felipe Morais

CONTEÚDO TEOLÓGICO SUPERVISIONADO POR: Pr. Rafael Mikio Ikeda Naka

Elaborado em Julho de 2019

PARCERIA

CURSO BÍBLICO ONLINE

IGREJA BATISTA RESTAURAÇÃO (Isesaki, Gumna Ken) — Japão

IGREJA BATISTA DO REINO (MG|SP|RJ) — Brasil

AIINB – Aliança de Igrejas Nipo-Brasileiras


[1] Baseado no comentário de WILLMINGTON, Dr. Harold L., Guia de Willmington para a Bíblia, Volume I. Rio de Janeiro Central Gospel, 2015, pág. 49,50.

Um Protótipo da Autoridade de Cristo

Vamos analisar juntos cada porção desse capítulos? (Gênesis 41:1-57)

v1.   Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho: Ele estava em pé junto ao rio Nilo,

José continuou sofrendo por mais 2 anos após ter revelado o significado dos sonhos do copeiro e do padeiro!

v1-7.      o faraó teve um sonho: Ele estava em pé junto ao rio Nilo, quando saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos. Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e magras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo. Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou. Tornou a adormecer e teve outro sonho: Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé. Depois brotaram outras sete espigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste. As espigas mirradas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho.

Ambos os sonhos se tratava de uma grande revelação de Deus ao rei do Egito.

v8.   Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egito e lhes contou os sonhos, mas ninguém foi capaz de interpretá-los.

Faraó, o rei do Egito, teve a mesma reação de Nabucodonosor, rei da Babilônia ao receber sonhos da parte de Deus que ficaram perturbados:

“… Nabucodonosor teve sonhos; e o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono.” Daniel 2:1

v9-13.       Então o chefe dos copeiros disse ao faraó: “Hoje me lembro de minhas faltas. Certa vez o faraó ficou irado com os seus dois servos e mandou prender-me junto com o chefe dos padeiros, na casa do capitão da guarda.    Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho tinha uma interpretação. Pois bem, havia lá conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos a ele os nossos sonhos, e ele os interpretou, dando a cada um de nós a interpretação do seu próprio sonho. E tudo aconteceu conforme ele nos dissera: eu fui restaurado à minha posição e o outro foi enforcado”.

Até que enfim o chefe dos copeiros lembrou-se de José!

v14.            O faraó mandou chamar José, que foi trazido depressa do calabouço. Depois de se barbear e trocar de roupa, apresentou-se ao faraó.

  • Uma vez que a mesma palavra hebraica “bowr” é traduzida por “masmorra ou calabouço” e “cisterna ou cova” e até “abismo ou sepultura” (ver Gn 37:22,24,28,29; 40:15; 41:14; Salmo 30:3; Isaías 14:15), talvez em sua mente José estivesse relacionando as duas experiências. Realmente foram experiências que poderiam tê-lo levado à morte!
  • 13 anos já haviam se passado desde que tinha sido jogado na cisterna pelos seus irmãos. Dessa vez, José sairia definitivamente da condição de humilhação em que passou durante tantos anos…
  • Barbeou-se – não era costume dos hebreus, mas José teve que proceder conforme o costume egípcio.
  • Trocou de roupa – tira as roupas da humilhação e se prepara para encontrar com o rei.

v15-24.  O faraó disse a José: “Tive um sonho que ninguém consegue interpretar. Mas ouvi falar que você, ao ouvir um sonho, é capaz de interpretá-lo”. Respondeu-lhe José: “Isso não depende de mim, mas Deus dará ao faraó uma resposta favorável”. Então o faraó contou o sonho a José: “Sonhei que estava de pé, à beira do Nilo, quando saíram do rio sete vacas, belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos. Depois saíram outras sete, raquíticas, muito feias e magras. Nunca vi vacas tão feias em toda a terra do Egito. As vacas magras e feias comeram as sete vacas gordas que tinham aparecido primeiro. Mesmo depois de havê-las comido, não parecia que o tivessem feito, pois continuavam tão magras como antes. Então acordei. “Depois tive outro sonho: Vi sete espigas de cereal, cheias e boas, que cresciam num mesmo pé. Depois delas, brotaram outras sete, murchas e mirradas, ressequidas pelo vento leste.            As espigas magras engoliram as sete espigas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém foi capaz de explicá-lo”.

É elogiável a humildade de José e seu desejo de honrar o verdadeiro Deus vivo (v.16) como podemos ver também em (Gênesis 40:8) quando ele mesmo havia interpretado os sonhos do copeiro e do padeiro e em (Daniel 2:27,28) quando o profeta humildemente exalta ao Deus Altíssimo pela capacidade de dar a intepretação do sonho de Nabucodonosor, rei da Babilônia. José e Daniel são dois homens de Deus que receberam muita graça diante de Deus e dos reis do Egito e Babilônia respectivamente.

v25-32.   “O faraó teve um único sonho”, disse-lhe José. “Deus revelou ao faraó o que ele está para fazer. As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são também sete anos; trata-se de um único sonho. As sete vacas magras e feias que surgiram depois das outras, e as sete espigas mirradas, queimadas pelo vento leste, são sete anos. Serão sete anos de fome. “É exatamente como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó aquilo que ele vai fazer. Sete anos de muita fartura estão para vir sobre toda a terra do Egito, mas depois virão sete anos de fome. Então todo o tempo de fartura será esquecido, pois a fome arruinará a terra.           A fome que virá depois será tão rigorosa que o tempo de fartura não será mais lembrado na terra. O sonho veio ao faraó duas vezes porque a questão já foi decidida por Deus, que se apressa em realizá-la.

O significado deles era que haveria 7 anos de fartura e posteriormente 7 anos de miséria. Os sonhos que Deus lhe havia dado tinha por objetivo despertar faraó para que pudesse providenciar meios de se preparar para a carestia.

7 vacas belas e gordas = 7 anos de abundância
7 espigas de trigo graúdas e boas
7 vacas feias e magras = 7 anos de fome
7 espigas mirradas e ressequidas

v33-36. “Procure agora o faraó um homem criterioso e sábio e coloque-o no comando da terra do Egito. O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quinto da colheita do Egito durante os sete anos de fartura. Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer estoques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cidades. Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, para que a terra não seja arrasada pela fome.”

É interessante que assim como Cristo é tipificado em José como o homem sábio e criterioso que está no comando de todas as coisas, Ele mesmo seleciona alguns para cuidar do seu rebanho (ver Efésios 4:11). Interessante notar que a expressão “bispos” (ver Filipenses 1:1) significa exatamente “supervisores”!

v37-41.   O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros. Por isso o faraó lhes perguntou: “Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?” Disse, pois, o faraó a José: “Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você”. E o faraó prosseguiu: “Entrego a você agora o comando de toda a terra do Egito”.

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Mateus 28:18

José foi tirado das profundezas da prisão e elevado ao governo de todo o Egito. Da mesma forma Cristo é retirado das profundezas da terra e retornou ao seu estado de glória (ver João 17:5) assentando-se á direita do Pai nas alturas! (ver Hebreus 1:3; 8:1)

“Ora, isto – ele subiu – que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.” Efésios 4:9,10

“Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” Efésios 1:20-23

v42-45.   Em seguida o faraó tirou do dedo o seu anel de selar e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço. Também o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: “Abram caminho! ” Assim José foi colocado no comando de toda a terra do Egito. Disse ainda o faraó a José: “Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito”. O faraó deu a José o nome de Zafenate-Panéia e lhe deu por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois José foi inspecionar toda a terra do Egito.

Novamente José precisa despir de sua temporária para assumir uma veste de governante!

  • Anel de selar – Em (Gênesis 38:18,25) vemos que o anel de selar tinha uma grande importância pois servia como uma espécie de carimbo e assinatura pessoal. Assim, José agora tinha a autoridade de Faraó para tomar todas as decisões!
  • Linho fino – representa os atos de justiça dos santos (ver Apocalipse 19:8). José tinha um belo histórico de justiça diante de Deus e dos homens.
  • Corrente de ouro – O próprio Deus, usando a figura de uma mulher ao se referir à Jerusalém que agora estava corrompida pelo pecado (ver Ezequiel 16:11), lembra ao seu povo que antes dessa situação Ele mesmo havia honrado à cidade e a adornado com enfeites e colocado braceletes nas mãos e um colar de ouro no seu pescoço. Exatamente como o colar de ouro que servia para adorno e honra que José havia recebido das mãos do rei.
  • Carruagem real – Mais tarde, José usará essa carruagem para se encontrar com seu pai na melhor terra do Egito, a terra de Ramessés, também chamada de terra de Gósen (Gn 46:29; 47:6,11).
  • Zafenate-Panéia – Embora o próprio faraó continue chamando ele pelo seu nome de nascimento, ou seja, José (). Ele dá-lhe o nome de Zafenate-Panéia. Esse nome de origem egípcia tem vários significados sugeridos: “tesouro do repouso glorioso” (segundo o dicionário Strong H6847); segundo o comentário bíblico expositivo de Warren W. Wiersbe Vol.I, pág. 195, os significados sugeridos são: “abundância de vida”, “Deus fala e vive”, “o homem que tem conhecimento” e “sustentador da vida”. Na coletânea “A História dos Hebreus, II Parte, Antiguidades Judaicas, Cap. 3 pág. 124”, o historiador Flávio Josefo diz que José recebeu o nome de Psontomfance, por causa de usa inteligência (esse nome significa, em língua egípcia, “aquele que penetra as coisas ocultas”) e afirma logo à frente que todos o chamavam de “salvador do povo”. Isso devido à sua capacidade de administração que supriu a carência do povo livrando-os de morrer de fome. O famoso dicionário Wycliffe pág. 2034 diz: Vários significados foram propostos para o nome; geralmente é interpretado como “Deus fala (e) vive” (Steindorff, Griffith, Crum, et al). Outras traduções mais corretas incluem “aquele que alimenta a terra dos vivos” (Archer, SOTI, p.102), “O doador de alimentos da terra”, etc. mas terde os judeus passaram a presumir que significava “o revelador dos segredos” (Josefo, Ant. ii. 6.1; Targum of Onkelos). O dicionário da Bíblia de John D. Davis (3ªEdição, Casa Publicadora Batista, 1970, pág.625) ratifica a explicação de Wicliffe.

v46.            José tinha trinta anos de idade quando começou a servir ao faraó, rei do Egito. Ele se ausentou da presença do faraó e foi percorrer todo o Egito.

Mais uma vez uma informação que lembra-nos de Cristo: “E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos” Lucas 3:22,23

v47-49.   Durante os sete anos de fartura a terra teve grande produção. José recolheu todo o excedente dos sete anos de fartura no Egito e o armazenou nas cidades. Em cada cidade ele armazenava o trigo colhido nas lavouras das redondezas. Assim José estocou muito trigo, como a areia do mar. Tal era a quantidade que ele parou de anotar, porque ia além de toda medida.

“Como não se pode contar o exército dos céus, nem medir-se a areia do mar, assim multiplicarei a descendência de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de mim.” Jeremias 33:22 – “E também deles* tomarei a alguns para sacerdotes e para levitas, diz o Senhor.” Isaías 66:21 [*deles – referindo-se às nações].

v50-52.   Antes dos anos de fome, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos. Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”. Ao segundo filho chamou Efraim, dizendo: “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido”.

  • AZENATE – uma esposa retirada do Egito que passa a fazer parte do povo israelita. Assim como a Igreja, tirada do mundo para fazer parte da família de Deus (Efésios 2:19), que é a noiva de Cristo composta de pessoas de todos os povos, tribos, línguas e nações!
  • MANASSÉS – significa “faz esquecer”. José não se esqueceu dos fatos, tanto é que ele claramente se lembra dos seus irmãos mais tarde. Ele se esqueceu dos sofrimentos, pois não guardara rancor no coração.
  • EFRAIM – significa “duplamente frutífero”. Agora, José estava colocando um nome profético sobre seu filho menor. Fique atento a esse nome, pois mais à frente vamos ver o desenrolar de uma das maiores revelações contidas nas Escrituras e que está intrinsecamente relacionada ao desfecho da história de Efraim com as Nações!

v53-57.   Assim chegaram ao fim os sete anos de fartura no Egito, e começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egito havia alimento. Quando todo o Egito começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comida, e este respondeu a todos os egípcios: “Dirijam-se a José e façam o que ele disser“.           Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de armazenamento e começou a vender trigo aos egípcios, pois a fome se agravava em todo o Egito. E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.

Assim como vemos Faraó se dirigindo ao seu povo direcionando-os a José e dizendo “Façam o que ele disser” – vemos Deus Pai se dirigindo ao seu povo e dizendo sobre Jesus Cristo: “… Este é o meu amado Filho; A ELE OUVI.” Lucas 9:35

  • Agora, medite num trecho desse salmo e veja quão poderosa figura messiânica foi José! “Chamou a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão. mandou perante eles um homem, José, que foi vendido por escravo; Cujos pés apertaram com grilhões; foi posto em ferros; Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou. Mandou o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou. Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda; para sujeitar os seus príncipes a seu gosto, e instruir os seus anciãos.” (Salmos 105:16-22)
  • Estêvão, o grande diácono e primeiro mártir da Igreja Primitiva, cheio do Espírito Santo disse: E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa. Sobreveio então a todo o país do Egito e de Canaã fome e grande tribulação; e nossos pais não achavam alimentos. Mas tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou ali nossos pais, a primeira vez. E na segunda vez foi José conhecido por seus irmãos, e a sua linhagem foi manifesta a Faraó. E José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas.” (Atos 7:9-14)

Esperamos que esse estudo tenha sido uma bênção para você.

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Pr. Felipe Morais

TEMA: CURSO BÍBLICO ONLINE – Gênesis 41

MATERIAL ELABORADO POR: Pr. Felipe Morais

CONTEÚDO TEOLÓGICO SUPERVISIONADO POR: Pr. Rafael Mikio Ikeda Naka

Elaborado em Julho de 2019

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