O INVERNO E O SÁBADO – POR QUE JESUS FALOU ISSO?

Felipe Morais Uncategorized 2 Comentários

“E orai para que a vossa fuga não aconteça no INVERNO nem no SÁBADO;” – Mateus 24:20

Uma análise do contexto bíblico

A – Comentário extraído de CHAMPLIN, Russell Norman, Ph. D., Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo, SP. Editora Hagnos, 2002 – Volume I – Mateus 24:20

B – minhas observações (Felipe Morais) estarão escritas a partir da expressão “NOTA:” entre colchetes)

[NOTA: É importante salientar que MARCOS também cita a questão da fuga durante o Inverno, mas somente MATEUS cita a questão da fuga no sábado]

1) A QUESTÃO DA DISTÂNCIA PERMITIDA PARA CAMINHADA

Em dia de sábado, os judeus só podiam afastar-se de suas moradias menos de dois quilômetros, sem quebrar o mandamento sabático, e isso não seria bastante para fugir de um exército inimigo que avançasse.

[NOTA: Particularmente, não encontrei essa obrigação na Lei de Moisés. Caso você tenha encontrado, favor postar o verso em questão. Alguns usam Josué 3:4 que diz para guardarem “uma distância de dois mil côvados” do povo em relação à Arca da Aliança, mas está descontextualizado ao tema. A única referência que encontrei que se relaciona ao tema foi: “Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado.” Atos 1:12 – mas não refere-se exatamente à distância, o que fica subjetivo.]

2) A QUESTÃO DOS PORTÕES FECHADOS EM DIAS DE SÁBADO

Outrossim, em dia de sábado os portões das cidades eram fechados, e isso seria tremendo obstáculo para a fuga de quem quer que fosse.


A QUESTÃO DA PERSEGUIÇÃO PELOS PRÓPRIOS VIZINHOS

Acrescente-se a tudo isso o fato de que seus vizinhos judeus haveriam de desprezá-los pelo fato de estarem fugindo em dia de sábado, e poderiam chegar ao extremo de procurar impedir tal fuga.

OS PORTÕES DA CIDADE FECHADOS NO DIA DE SÁBADO:

“Sucedeu, pois, que, dando já sombra nas portas de Jerusalém antes do sábado, ordenei que as portas fossem fechadas; e mandei que não as abrissem até passado o sábado; e pus às portas alguns de meus servos, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado. Então os negociantes e os vendedores de toda a mercadoria passaram a noite fora de Jerusalém, uma ou duas vezes. Protestei, pois, contra eles, e lhes disse: Por que passais a noite defronte do muro? Se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão de vós. Daquele tempo em diante não vieram no sábado. Também disse aos levitas que se purificassem, e viessem guardar as portas, para santificar o sábado. Nisto também, Deus meu, lembra-te de mim e perdoa-me segundo a abundância da tua benignidade.” (Ne 13:19-22)

3) A QUESTÃO DO ANO SABÁTICO

Alguns têm pensado que a expressão “no sábado” indica realmente um ano sabático ou sétimo ano, quando nenhuma plantação seria encontrada nos campos, e quando haveria grande escassez de provisões entre o povo: todavia, o mais provável é que se trate apenas do dia de sábado comum. John Gill (in loc.) demonstrou, mediante diversas citações, que a questão se alguém deveria fugir do inimigo em dia de sábado, ou deveria viajar por causa de alguma grande emergência ameaçadora em dia de sábado, continuava sendo a questão não solucionada e motivo de debate, entre os judeus, nos dias de Jesus. Algumas pessoas extremamente escrupulosas, embora fossem cristãs, poderiam hesitar em iniciar uma longa viagem em dia de sábado, por causa da questão que ainda não fora resolvida.

[NOTA: É importante observar que a maioria dos cristãos à época era composta por judeus convertidos ao Messias e, portanto estavam convivendo dentro de um ambiente dominado pelo judaísmo. Isso é, eles não haviam ainda se desprendido completamente de todo o judaísmo, pois estavam passando por um importante período de TRANSIÇÃO entre as Alianças (Antiga e Nova) durante o ministério de Cristo, sua morte e ressurreição até um longo período apostólico. Esse período de (TRANSIÇÃO ENTRE AS ALIANÇAS) foi importante para a comunidade cristã absorver aos poucos os princípios do Evangelho que não se apoiava nas Sombras do AT, mas demonstrava a Realidade dessas coisas em Cristo Jesus, no NT.]

4) O INVERNO

A fuga durante os meses de inverno também seria extremamente perigosa, porquanto as condições atmosféricas estariam péssimas, as estradas estariam escorregadias e até mesmo intransitáveis, e os dias seriam breves e as noites longas. Encontramos interessante paralelo dessa passagem, que diz respeito à destruição do primeiro templo; essa ocorrência teve lugar no verão, e não no inverno, e muitos acolheram o fato como uma benção direta de Deus, dada devido à sua misericórdia. •Deus mostrou grande favor a Israel, porque deveriam ter saído da terra no dia dez do mês de Tebeth, conforme disse também Ezequiel (24:2): “Filho do homem, escreve o nome deste dia, deste mesmo dia; porque o rei de babilônia se pôs contra Jerusalém neste mesmo dia.”. Portanto, que fez o santo e bendito Senhor? Se agora saírem no inverno, morrerão todos, por conseguinte, prolongou o tempo para eles, e tirou-os dali durante o verão” (Tonchuma, foi. 57.2).

  • lucassouzareinoe@gmail.com disse:

    A questão das ordenanças para guarda do shabbat estão no Talmud (torá oral), realmente nele fala sobre a caminhada de 1km em média por dia (sétimo dia).

    • Felipe Morais disse:

      Sim, mas Jesus certamente não se referia ao Talmude. Por isso a questão dos portões é a mais provável.